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A Lua está se afastando ou encolhendo? As duas coisas

Por Leila Alves Pereira5 min de leitura
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A Lua está se afastando ou encolhendo? As duas coisas

Resumo em 30 segundos

A Lua está encolhendo e se afastando ao mesmo tempo. Ela perdeu cerca de 45 metros de raio porque o interior esfriou, e se distancia da Terra alguns centímetros por ano por causa das marés.

Neste artigo

A Lua está encolhendo e se afastando da Terra ao mesmo tempo, por motivos diferentes. Ela encolhe porque o interior vem esfriando e se contraindo, o que reduziu o raio em cerca de 45 metros nos últimos 400 a 800 milhões de anos. E se afasta alguns centímetros por ano por causa das marés, numa troca de energia com a rotação da Terra.

O encolhimento foi tema de um estudo publicado no The Planetary Science Journal e divulgado em outubro. Usando imagens da câmera da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter, da Nasa, os pesquisadores mapearam mais de 10 mil falhas espalhadas pela superfície lunar.

A Lua está encolhendo porque o interior esfriou

Quando a Lua se formou, há cerca de 4,5 bilhões de anos, o interior dela era muito quente. Desde então, ela vem perdendo calor para o espaço. Como quase todo material, a rocha diminui de volume ao esfriar. O interior contrai, e a crosta, que é rígida, precisa se acomodar a um corpo um pouco menor.

O resultado é parecido com o de uma uva que vira passa, só que a crosta lunar não é flexível como uma casca. Em vez de enrugar suavemente, ela quebra. Uma parte da rocha é empurrada por cima da outra, formando degraus no terreno.

Quarenta e cinco metros parecem pouco diante de um raio de mais de 1.700 quilômetros, e de fato são. A mudança é pequena em proporção, mas suficiente para deixar marcas visíveis em todo o globo lunar.

A Lua não é o único corpo do Sistema Solar a passar por isso. Mercúrio, o planeta mais próximo do Sol, também tem escarpas enormes atribuídas à contração do interior, observadas por sondas que passaram por lá. O mecanismo é o mesmo: um mundo rochoso que esfria e não tem placas tectônicas para distribuir o esforço.

Por que a Lua racha no globo inteiro

Na Terra, a superfície é dividida em placas tectônicas que se movem umas em relação às outras. A deformação se concentra nas bordas dessas placas, e é por isso que terremotos e vulcões aparecem em faixas bem definidas do planeta.

A Lua não funciona assim. Ela tem uma crosta de placa única, sem essa divisão. Quando o interior contrai, a tensão se distribui pela casca toda, e as falhas aparecem em qualquer lugar, das regiões montanhosas às grandes planícies escuras.

As escarpas e as cristas

Os pesquisadores mapearam dois tipos principais de falha. As escarpas lobadas são degraus no relevo, com algumas dezenas de metros de altura, comuns nas terras altas. As cristas aparecem nos mares lunares, as planícies escuras formadas por lava antiga que se vê da Terra a olho nu.

A crosta mais grossa como isolante

O estudo também notou que as áreas de crosta mais espessa têm menos falhas. A explicação proposta é que essa camada funcionou como um isolante térmico, retardando o resfriamento do interior nos primeiros tempos da Lua e deixando essas regiões geologicamente mais estáveis.

A Lua também está se afastando da Terra

O afastamento é outra história e não tem relação com o encolhimento. Ele é medido com precisão desde que astronautas das missões Apollo deixaram espelhos especiais na superfície lunar. Observatórios na Terra disparam laser contra esses espelhos e calculam a distância pelo tempo que a luz leva para ir e voltar.

As medições mostram que a Lua se afasta cerca de 3,8 centímetros por ano, mais ou menos o ritmo em que crescem as unhas. A distância média hoje fica em torno de 384 mil quilômetros. Os espelhos usados nessas medições foram deixados pelas missões Apollo 11, 14 e 15, e há ainda refletores a bordo de dois veículos robóticos soviéticos, os Lunokhod.

O papel das marés

A causa está nas marés. A gravidade da Lua deforma levemente a Terra e os oceanos, criando um bojo. Como a Terra gira mais rápido do que a Lua dá a volta nela, esse bojo fica um pouco adiantado em relação à Lua e a puxa para a frente na órbita.

Esse puxão dá energia à Lua, que sobe para uma órbita mais distante. Em troca, a rotação da Terra freia aos poucos, e os dias ficam um pouco mais longos ao longo de milhões de anos. Na época dos dinossauros, um dia na Terra era mais curto do que é hoje.

O que essas mudanças significam para quem vai à Lua

Para quem olha o céu, nada muda na escala de uma vida humana. A Lua não vai sumir nem parecer menor: os 45 metros perdidos levaram centenas de milhões de anos, e o afastamento de alguns centímetros por ano é imperceptível a olho nu.

Para quem pretende pousar lá, o encolhimento tem uma consequência prática. Os sismômetros deixados pelas missões Apollo registraram tremores rasos na Lua, e parte deles foi associada a essas falhas. Isso indica que pelo menos algumas ainda podem estar ativas. Mapear onde elas ficam ajuda a escolher locais mais seguros para bases e pousos nas próximas missões tripuladas.

As 10 mil falhas mapeadas mostram que a Lua, vista muitas vezes como um mundo parado, ainda está mudando. Devagar, mas mudando.

Perguntas frequentes

Quanto a Lua já encolheu?

Segundo o estudo divulgado em outubro, o raio da Lua diminuiu cerca de 45 metros nos últimos 400 a 800 milhões de anos, por causa do resfriamento do interior.

A Lua está se afastando da Terra?

Sim. Ela se afasta cerca de 3,8 centímetros por ano, efeito das marés, que transferem energia da rotação da Terra para a órbita da Lua.

O encolhimento e o afastamento têm a mesma causa?

Não. O encolhimento vem do esfriamento do interior lunar, e o afastamento vem da interação de marés entre a Terra e a Lua.

Existem terremotos na Lua?

Existem tremores, chamados de abalos lunares. Os sismômetros das missões Apollo registraram alguns rasos, e parte deles foi ligada às falhas criadas pelo encolhimento.

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