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Síndrome da pessoa rígida: a doença que parou Céline Dion

Por Leila Alves Pereira5 min de leitura
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Síndrome da pessoa rígida: a doença que parou Céline Dion

Resumo em 30 segundos

Céline Dion voltou aos palcos em Paris com 16 shows esgotados, seis anos depois de se afastar por um distúrbio neurológico raro. Entenda o que é a síndrome da pessoa rígida, como ela afeta o corpo e o que esse retorno representa.

Neste artigo

A síndrome da pessoa rígida é uma doença neurológica rara, de origem autoimune, que provoca rigidez muscular e espasmos que podem ser intensos e dolorosos. Foi esse o diagnóstico que Céline Dion revelou ao público em 2022, e o tratamento do distúrbio marcou um hiato de seis anos longe das turnês. Agora, aos 58 anos, a cantora canadense voltou a se apresentar com uma série de 16 shows esgotados na Plenitude Arena, em Paris, e a estreia reuniu 30 mil pessoas.

O retorno de Céline Dion aos palcos em Paris

A primeira noite da temporada foi aberta com a canção "On ne change pas" e teve na plateia a ex-primeira-dama dos Estados Unidos Michelle Obama. A chegada da cantora à capital francesa mobilizou fãs, que se reuniram na porta do hotel para recebê-la.

Quem não conseguiu ingresso encontrou outras formas de participar. Pela cidade, admiradores organizaram festas de karaokê e procuraram itens de memorabilia ligados à carreira da artista. A sequência de 16 apresentações marca a volta de Céline ao circuito internacional de shows depois de um longo período dedicado ao tratamento.

O que é a síndrome da pessoa rígida

A síndrome da pessoa rígida, conhecida em inglês como stiff person syndrome, afeta o sistema nervoso central, formado pelo cérebro e pela medula espinhal. Ela é considerada autoimune porque, na maioria dos casos, o próprio sistema de defesa do corpo passa a atacar estruturas que ajudam a controlar a atividade dos músculos.

Em condições normais, o sistema nervoso equilibra sinais que ativam os músculos com sinais que os relaxam. Um dos principais mensageiros desse freio é o GABA, um neurotransmissor que acalma a atividade dos neurônios. Em muitas pessoas com a síndrome, o organismo produz anticorpos contra uma enzima chamada GAD, envolvida na produção do GABA. Com menos freio, os músculos ficam contraídos por mais tempo do que deveriam.

Trata-se de uma condição muito rara. As estimativas mais citadas falam em poucos casos para cada milhão de pessoas, o que ajuda a explicar por que o diagnóstico costuma demorar e por que a doença era pouco conhecida do grande público antes do anúncio da cantora.

Como a doença afeta o corpo no dia a dia

O sintoma mais característico é a rigidez progressiva dos músculos, sobretudo do tronco e das pernas. Com o tempo, ela pode alterar a postura e deixar os movimentos lentos e difíceis. Caminhar, se abaixar ou manter o equilíbrio podem se tornar tarefas complicadas.

Além da rigidez constante, a síndrome provoca espasmos, que são contrações súbitas e fortes. Eles podem ser disparados por estímulos comuns, como um barulho inesperado, um toque leve ou uma emoção intensa. Em alguns casos, os espasmos são tão fortes que levam a quedas. Muitos pacientes também passam a sentir ansiedade em ambientes movimentados, justamente porque esses lugares concentram estímulos capazes de provocar crises.

Por que isso pesa tanto para uma cantora

Cantar exige controle fino de músculos do tronco, do pescoço, da garganta e da respiração. Uma doença que provoca rigidez e espasmos nessas regiões interfere diretamente na capacidade de sustentar notas, controlar o fôlego e se apresentar por horas diante de um público grande, com luzes e som alto. Por isso, o afastamento de uma artista conhecida pela potência vocal teve tanto impacto.

Por que o diagnóstico costuma demorar

Como os sintomas lembram problemas mais comuns, como dores nas costas, ansiedade ou outras doenças neurológicas, muitos pacientes passam por vários especialistas antes de chegar à resposta. O diagnóstico costuma combinar a avaliação clínica feita por um neurologista, exames de sangue que procuram os anticorpos ligados à doença e testes que medem a atividade elétrica dos músculos. Em uma doença tão rara, a experiência do médico com casos parecidos faz muita diferença.

Existe tratamento para a síndrome da pessoa rígida

Não há cura conhecida, mas existem tratamentos que ajudam a controlar os sintomas. Os médicos costumam usar medicamentos que reduzem a rigidez e os espasmos, como relaxantes musculares e remédios que reforçam a ação do GABA. Em alguns casos, também são indicadas terapias que modulam o sistema imunológico, para diminuir o ataque autoimune.

A fisioterapia tem papel importante, ajudando a manter a mobilidade e a força. O acompanhamento costuma ser contínuo e ajustado ao longo do tempo, porque a resposta varia muito de pessoa para pessoa. No caso de artistas, o treino vocal também precisa ser adaptado às limitações do corpo.

O que a volta de Céline Dion representa

Depois do anúncio de 2022, Céline cancelou compromissos e passou a tratar a doença longe dos palcos. Em 2024, ela fez uma aparição marcante na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Paris, cantando na Torre Eiffel, e no mesmo ano foi lançado o documentário "I Am: Celine Dion", que mostrou de perto a rotina de tratamento e as crises. A temporada atual, porém, é a primeira série completa de shows depois do hiato.

Para além do interesse musical, o retorno ajudou a dar visibilidade a uma doença que pouca gente conhecia. Quando uma figura pública fala abertamente sobre um diagnóstico raro, mais pessoas passam a reconhecer os sintomas e a buscar avaliação médica, o que pode encurtar o caminho até o diagnóstico de outros pacientes. O fato de 16 noites terem se esgotado também mostra o tamanho da expectativa do público em torno dessa volta.

Perguntas frequentes

Qual doença Céline Dion tem?

Em 2022, Céline Dion revelou que tem a síndrome da pessoa rígida, uma doença neurológica rara e autoimune que causa rigidez muscular e espasmos.

A síndrome da pessoa rígida tem cura?

Não há cura conhecida. O tratamento combina medicamentos, terapias imunológicas em alguns casos e fisioterapia para controlar os sintomas.

Quantos shows Céline Dion vai fazer em Paris?

São 16 shows esgotados na Plenitude Arena, em Paris. A estreia reuniu 30 mil pessoas.

O que pode provocar os espasmos da síndrome?

Estímulos comuns, como barulhos repentinos, toques e emoções fortes, podem disparar espasmos em quem tem a doença.

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