Por que os recordes de calor vêm um atrás do outro

Resumo em 30 segundos
Agosto de 2026 foi o mês mais quente já registrado no planeta, com oceanos em temperatura inédita e o verão mais quente da Europa Ocidental. Entenda o papel do El Niño, do aquecimento de fundo e do oceano nessa sequência de recordes.
Neste artigo
- Agosto de 2026 entrou para a história do clima
- Como se mede a temperatura do planeta inteiro
- O que o El Niño tem a ver com isso
- Separar o natural do aquecimento de fundo
- Por que o oceano conta mais do que o ar
- Os efeitos de um oceano mais quente
- Por que os recordes devem continuar aparecendo
- Perguntas frequentes
- Qual foi o mês mais quente já registrado?
- O El Niño é o responsável pelos recordes de calor?
- Por que a temperatura do oceano é tão importante?
- Todo mês daqui para frente será recorde?
Os recordes de calor se repetem porque o planeta vive uma tendência de aquecimento de fundo, puxada pelos gases de efeito estufa, sobre a qual oscilações naturais apenas somam ou subtraem alguns décimos de grau. O exemplo mais recente é agosto de 2026, que o Copernicus, serviço de monitoramento climático da União Europeia, confirmou como o mês mais quente já registrado no mundo. Cada novo recorde de calor parte de uma base mais alta do que a anterior, e por isso eles aparecem em sequência.
Agosto de 2026 entrou para a história do clima
Segundo o Copernicus, agosto de 2026 superou todos os registros anteriores de temperatura média global. O mês também foi marcado por temperaturas oceânicas em níveis sem precedentes e pelo verão mais quente desde o início das medições na Europa Ocidental.
Os cientistas que acompanham os dados atribuem esse aquecimento principalmente às mudanças climáticas causadas pela atividade humana. Diante dos números, a Organização das Nações Unidas reforçou o alerta de que o planeta continuará enfrentando eventos extremos enquanto a humanidade mantiver a dependência de combustíveis fósseis, e voltou a defender uma transição energética acelerada.
Como se mede a temperatura do planeta inteiro
Falar em mês mais quente do mundo exige um cálculo que vai muito além de um termômetro. Serviços como o Copernicus combinam milhões de observações de estações meteorológicas, navios, boias, balões e satélites. Esses dados alimentam modelos que reconstroem as condições da atmosfera e do oceano em todo o globo, inclusive em regiões onde não há medição direta.
O resultado é comparado com médias de longo prazo, e o que importa é a anomalia, ou seja, quanto o período ficou acima ou abaixo do esperado. Por isso, um recorde global não significa que todos os lugares tiveram calor extremo. Algumas regiões podem ter ficado dentro do normal, enquanto outras, como a Europa Ocidental neste caso, enfrentaram temperaturas muito acima da média.
O que o El Niño tem a ver com isso
O El Niño é um fenômeno natural em que as águas da faixa central e leste do Oceano Pacífico tropical ficam mais quentes que o normal. Esse aquecimento muda a circulação de ventos e chuvas em várias partes do mundo e libera calor do oceano para a atmosfera. Em anos de El Niño, a temperatura média global tende a subir um pouco. Na fase oposta, chamada La Niña, ela tende a cair.
Essas oscilações funcionam como ondas sobre uma maré que sobe. Elas explicam por que um ano é mais quente que o outro, mas não explicam por que a linha de base continua subindo década após década. Um El Niño de hoje produz recordes que um El Niño de décadas atrás não produziria, justamente porque parte de um patamar mais alto.
Separar o natural do aquecimento de fundo
Os climatologistas usam séries longas de dados para separar os dois efeitos. Quando se observa a temperatura ao longo de várias décadas, as oscilações naturais se compensam e o que sobra é a tendência. E essa tendência acompanha o aumento da concentração de gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono, liberados principalmente pela queima de carvão, petróleo e gás.
Por que o oceano conta mais do que o ar
O oceano é o grande reservatório de calor do planeta. A maior parte do calor extra retido pela Terra por causa dos gases de efeito estufa, algo em torno de nove décimos, vai parar nos mares. A atmosfera fica com uma fração pequena. Por isso, a temperatura do oceano é um dos indicadores mais confiáveis de quanto o planeta realmente aqueceu.
A água também tem muita inércia térmica. Ela demora para esquentar, mas também demora para esfriar. Quando a superfície do oceano bate recorde, como aconteceu em agosto de 2026, esse calor tende a influenciar o clima por meses, alimentando ondas de calor marinhas, tempestades mais intensas e mais umidade no ar.
Os efeitos de um oceano mais quente
Mares mais quentes afetam a vida marinha, provocando, por exemplo, o branqueamento de corais. Eles também fornecem mais energia para ciclones e chuvas fortes, porque a água evapora com mais facilidade. E, como a água se expande ao esquentar, o aquecimento do oceano contribui para a elevação do nível do mar, somando-se ao derretimento de geleiras.
Por que os recordes devem continuar aparecendo
Enquanto a concentração de gases de efeito estufa continuar aumentando, a linha de base seguirá subindo. Nesse cenário, recordes de mês e de ano tendem a se repetir, mesmo com a alternância natural entre fases mais quentes e mais frias. Os anos de 2023 e 2024 já tinham batido recordes sucessivos de temperatura global, e agosto de 2026 se soma a essa sequência.
Isso não quer dizer que todo mês será recorde. Em fases de La Niña, por exemplo, alguns períodos podem ficar abaixo dos anteriores. A tendência, porém, aponta para cima. É por isso que os cientistas insistem que reduzir as emissões é a forma de frear essa escalada, e é também por isso que a ONU voltou a ligar o alerta à dependência dos combustíveis fósseis.
Perguntas frequentes
Qual foi o mês mais quente já registrado?
Segundo o Copernicus, serviço climático da União Europeia, agosto de 2026 foi o mês mais quente já registrado no mundo.
O El Niño é o responsável pelos recordes de calor?
O El Niño pode deixar alguns anos mais quentes, mas a causa principal da tendência de aquecimento são os gases de efeito estufa emitidos pela atividade humana.
Por que a temperatura do oceano é tão importante?
Porque o oceano absorve a maior parte do calor extra retido pela Terra. A temperatura dos mares mostra com mais fidelidade quanto o planeta aqueceu.
Todo mês daqui para frente será recorde?
Não necessariamente. Oscilações naturais podem deixar alguns períodos mais frios, mas a tendência de longo prazo continua de alta enquanto as emissões aumentarem.





