Qual é o naufrágio mais antigo do mundo

Resumo em 30 segundos
O candidato a naufrágio mais antigo do mundo está na Turquia, perto da ilha de Kekova: um navio da Idade do Bronze que afundou entre 4.400 e 4.700 anos atrás. Veja como os arqueólogos chegaram a essa data.
Neste artigo
- O navio de Kekova pode passar à frente do recorde de Dokos
- Como se data um navio no fundo do mar
- A carga e as âncoras
- O radiocarbono
- Os anéis da madeira
- Por que a ânfora de cerâmica entrega o século
- Outros naufrágios famosos da Antiguidade
- O que o achado da Turquia ainda pode revelar
- Perguntas frequentes
- Qual é o naufrágio mais antigo do mundo?
- Qual era o recorde anterior?
- Como os arqueólogos sabem a idade de um navio afundado?
- Por que as ânforas ajudam na datação?
O naufrágio mais antigo do mundo pode ter sido encontrado na costa sul da Turquia, perto da ilha de Kekova. Os restos de um navio da Idade do Bronze, a 30 metros de profundidade, foram datados entre 4.400 e 4.700 anos atrás. Se a estimativa for confirmada, o achado passa à frente do naufrágio de Dokos, na Grécia, que tinha cerca de 4.200 anos e ocupava o posto até agora.
A descoberta foi divulgada em outubro. A idade foi estimada principalmente pelo que estava em volta do casco: mais de 30 ânforas de cerâmica e três grandes âncoras de pedra, cujo estilo aponta para uma origem no Vale do Jordão, no Oriente Próximo.
O navio de Kekova pode passar à frente do recorde de Dokos
Kekova fica numa região da costa turca conhecida pelas ruínas antigas, algumas delas parcialmente submersas. É uma área de mar calmo e de rotas antigas de navegação no Mediterrâneo oriental, o que ajuda a explicar por que tantos vestígios de embarcações aparecem por ali.
Pela estimativa divulgada, o navio é de 200 a 500 anos mais antigo que o de Dokos, dependendo de qual ponta da datação se confirmar. Os pesquisadores tratam o resultado com cautela: o título de naufrágio mais antigo do mundo ainda depende de estudos adicionais, e o sítio segue em análise para preservar os objetos e continuar a investigação sobre a origem da embarcação.
Mesmo antes da confirmação, o achado já é valioso. Navios desse período são raríssimos, e cada um ajuda a reconstruir as rotas de comércio e as técnicas de navegação de povos que deixaram pouco registro escrito.
Como se data um navio no fundo do mar
Um navio afundado quase nunca traz uma data escrita. A madeira apodrece ou é devorada por organismos marinhos, e o que sobra costuma ser a carga e as peças mais resistentes. Por isso, os arqueólogos combinam vários métodos.
A carga e as âncoras
O primeiro método é comparar os objetos encontrados com outros já datados. Âncoras de pedra, por exemplo, eram usadas na Idade do Bronze e foram sendo substituídas por modelos de outros materiais em épocas posteriores. O formato, o peso e o tipo de furo para a corda ajudam a situar a peça no tempo.
O radiocarbono
Quando sobra algum material orgânico, como madeira do casco, cordas, sementes ou restos de alimento, é possível usar a datação por radiocarbono. O método mede quanto resta de uma forma radioativa do carbono que os seres vivos absorvem enquanto estão vivos e que vai se desfazendo num ritmo conhecido depois da morte.
Os anéis da madeira
Se houver madeira bem preservada, a contagem dos anéis de crescimento das árvores pode dar o ano em que elas foram cortadas, desde que exista uma sequência de referência para aquela região. Esse método costuma ser mais útil para navios mais recentes, de regiões com boas séries de anéis.
Por que a ânfora de cerâmica entrega o século
As ânforas eram os contêineres da Antiguidade. Serviam para transportar vinho, azeite, grãos e outros produtos, e eram feitas em formatos padronizados para facilitar o empilhamento nos porões.
Esses formatos mudavam com o tempo e de uma região para outra. A altura do gargalo, o desenho das alças, a forma da base e até a espessura da parede variavam de acordo com a oficina e a época. Ao longo de mais de um século de estudos, os arqueólogos montaram catálogos que associam cada tipo de ânfora a um período e a um lugar de produção. Para as ânforas romanas, por exemplo, uma das classificações mais usadas foi criada pelo alemão Heinrich Dressel no século 19.
Além do formato, o barro conta uma história. A análise da argila e dos minerais misturados a ela permite identificar de onde veio a matéria-prima. Foi esse tipo de comparação que levou os pesquisadores a ligar a carga de Kekova ao Vale do Jordão.
Como uma ânfora quebra com facilidade e era descartada em grande quantidade, ela aparece em sítios de todo tipo, e isso torna os catálogos cada vez mais precisos. Por isso se diz que a cerâmica é o relógio da arqueologia.
Outros naufrágios famosos da Antiguidade
A costa sul da Turquia já tinha dado ao mundo um dos naufrágios mais estudados da história: o de Uluburun, um navio do fim da Idade do Bronze, por volta do século 14 a.C. Ele levava uma carga enorme de lingotes de cobre e estanho, além de objetos de várias regiões do Mediterrâneo, e virou uma referência para entender o comércio daquela época.
Na Grécia, o naufrágio de Antikythera ficou famoso por causa do mecanismo de bronze encontrado a bordo, uma espécie de calculadora astronômica da Antiguidade. É bem mais recente que Kekova, do século 1 a.C.
Também é preciso separar duas ideias. O naufrágio mais antigo do mundo não é o mesmo que o mais bem preservado. Em 2018, pesquisadores anunciaram um navio grego de cerca de 2.400 anos encontrado praticamente inteiro no fundo do Mar Negro, a mais de 2 mil metros de profundidade, onde a água com pouco oxigênio protegeu a madeira. É muito mais novo que Kekova, mas está intacto.
O que o achado da Turquia ainda pode revelar
Se a datação de Kekova se confirmar, o navio vai ajudar a responder perguntas antigas: que produtos circulavam entre o Oriente Próximo e a Anatólia há mais de 4 mil anos, que tamanho tinham as embarcações e por quais rotas elas se arriscavam.
A investigação deve seguir por anos, como costuma acontecer em arqueologia subaquática. Cada mergulho é curto, o trabalho no fundo exige cuidado com o que ainda está enterrado no sedimento, e muitas peças precisam de tratamento especial ao saírem da água salgada para não se desfazerem.
Perguntas frequentes
Qual é o naufrágio mais antigo do mundo?
O candidato mais recente é o navio encontrado perto da ilha de Kekova, na Turquia, datado entre 4.400 e 4.700 anos. A datação ainda depende de confirmação.
Qual era o recorde anterior?
O naufrágio de Dokos, na Grécia, com cerca de 4.200 anos, era considerado o mais antigo conhecido.
Como os arqueólogos sabem a idade de um navio afundado?
Eles comparam a carga e as âncoras com objetos já datados, usam radiocarbono em materiais orgânicos e, quando há madeira preservada, contam os anéis de crescimento.
Por que as ânforas ajudam na datação?
Porque o formato delas mudava com a época e a região, e os arqueólogos têm catálogos que ligam cada tipo a um período e a um lugar de produção.





