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Por que a viagem até a ISS leva horas, e não minutos

Por Leila Alves Pereira5 min de leitura
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Por que a viagem até a ISS leva horas, e não minutos

Resumo em 30 segundos

A Crew-13 da SpaceX chegou à Estação Espacial em 7h50, recorde dos Estados Unidos, sob o comando de Jessica Watkins. Entenda por que a nave não vai em linha reta e como funciona o encontro em órbita.

Neste artigo

A viagem até a ISS leva horas porque a nave não sobe direto até a estação: ela precisa entrar na mesma órbita, alcançar um alvo que se move a cerca de 28 mil km/h e se aproximar devagar até a acoplagem. A missão Crew-13 da SpaceX fez esse percurso em 7 horas e 50 minutos, um novo recorde para voos espaciais dos Estados Unidos, sob o comando da astronauta Jessica Watkins, a primeira mulher negra a liderar uma tripulação em órbita.

O recorde da Crew-13 e a comandante Jessica Watkins

A cápsula Dragon decolou de Cabo Canaveral, na Flórida, levando quatro tripulantes: dois astronautas da Nasa, um cosmonauta russo e um astronauta canadense. O lançamento saiu depois de um adiamento de três semanas, tempo usado por engenheiros para reparar um vazamento no sistema de combustível e substituir uma válvula de propulsão da cápsula. Na manhã da decolagem, nuvens densas chegaram a preocupar, mas as condições permitiram que o voo seguisse como planejado.

A chegada em 7h50 marcou o recorde americano de tempo até a estação. E o voo teve um segundo marco: Jessica Watkins se tornou a primeira mulher negra a comandar uma tripulação em órbita. Ela já havia participado de uma missão longa na estação em 2022.

A tripulação vai permanecer seis meses na ISS, conduzindo experimentos científicos voltados ao desenvolvimento de tecnologias para futuras missões à Lua e a Marte.

A estação está perto, mas está correndo

A Estação Espacial Internacional orbita a cerca de 400 quilômetros de altura, uma distância menor do que a de São Paulo ao Rio de Janeiro. Se fosse só uma questão de subir, o trajeto levaria poucos minutos. De fato, a fase de lançamento, até a nave chegar à órbita, dura em torno de dez minutos.

O desafio é que a estação não está parada. Ela dá uma volta completa na Terra a cada cerca de 90 minutos, viajando a aproximadamente 28 mil km/h. Para encontrá-la, a nave não pode simplesmente mirar em um ponto do céu. Precisa entrar no mesmo plano da órbita da estação, na mesma altura e na mesma velocidade, e só então se aproximar.

Por que acelerar não resolve

Na mecânica orbital, a intuição engana. Se uma nave em órbita acelera para a frente, ela sobe para uma órbita mais alta, e órbitas mais altas são mais lentas. Ou seja, acelerar pode fazer a nave ficar para trás. Para alcançar algo à frente, muitas vezes é preciso baixar a órbita, andar mais rápido por um tempo e depois subir de novo. Por isso, cada ajuste exige cálculos precisos.

Como funciona o encontro em órbita

A manobra de encontro, chamada em inglês de rendezvous, é dividida em etapas. Primeiro, o foguete precisa ser lançado no momento certo, quando a órbita da estação passa sobre o local de lançamento. Essa janela é curta, e qualquer atraso muda os planos.

Depois, já em órbita, a nave faz uma série de queimas de motor para ajustar altura e velocidade, reduzindo aos poucos a distância até a estação. Essa fase é chamada de faseamento. Quanto mais distante a nave começa da estação ao longo da órbita, mais voltas ela precisa dar para alcançá-la.

Por fim, vem a aproximação. Nos últimos quilômetros, a nave anda devagar, para em pontos de espera definidos e só avança depois de verificações. No caso da Dragon, a acoplagem é automática, mas monitorada pela tripulação e pelos controladores em solo.

Por que já levou dias e o que mudou

Nas primeiras décadas dos voos tripulados até estações espaciais, a viagem costumava durar cerca de dois dias. As naves davam dezenas de voltas na Terra, com tempo de sobra para ajustar a órbita e conferir os sistemas. Era um caminho mais lento, mas mais simples de planejar.

Com computadores de bordo mais potentes, medições mais precisas da posição da estação e experiência acumulada, ficou possível encurtar o faseamento. As cápsulas russas Soyuz passaram a usar rotas rápidas, com chegada em poucas horas. As missões da Dragon, por sua vez, costumavam levar perto de um dia até a estação.

A fonte da notícia não detalha qual foi o plano de voo que permitiu a Crew-13 chegar em 7h50. De forma geral, trajetos rápidos dependem de um lançamento cronometrado para que a nave já entre em órbita bem perto da estação, exigindo poucas voltas de ajuste. Isso reduz o tempo que a tripulação passa apertada dentro da cápsula e agiliza o início do trabalho a bordo.

O que a tripulação vai fazer na estação

Nos seis meses a bordo, os quatro tripulantes vão conduzir experimentos que ajudam a preparar viagens mais longas. Pesquisas desse tipo costumam incluir os efeitos da microgravidade no corpo humano, testes de equipamentos e estudos sobre materiais e sistemas de suporte de vida.

A estação funciona como um laboratório para aprender a viver e trabalhar longe da Terra. Cada missão acrescenta dados que serão úteis quando astronautas voltarem à Lua por períodos longos e, mais adiante, quando partirem rumo a Marte, uma viagem de meses em que não haverá estação por perto para ajudar.

Perguntas frequentes

Quanto tempo dura a viagem até a ISS?

Depende do plano de voo. Já levou cerca de dois dias, missões recentes da Dragon costumavam levar perto de um dia, e a Crew-13 fez o trajeto em 7 horas e 50 minutos, recorde para voos dos Estados Unidos.

Qual a distância entre a Terra e a Estação Espacial Internacional?

A estação orbita a cerca de 400 quilômetros de altura e dá uma volta completa no planeta a cada aproximadamente 90 minutos.

Quem é Jessica Watkins?

É uma astronauta da Nasa que comandou a missão Crew-13 da SpaceX e se tornou a primeira mulher negra a liderar uma tripulação em órbita.

Por que a nave não vai em linha reta até a estação?

Porque a estação está em movimento muito rápido ao redor da Terra. A nave precisa entrar na mesma órbita, igualar a velocidade e só então se aproximar, numa manobra chamada encontro em órbita.

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